domingo, 23 de junho de 2013

Mr. Nobody


Resultado de um cruzamento genético defeituoso entre "A origem", "Titanic", "efeito borboleta" e "Time traveler’s wife". Parece uma receita para o sucesso mas achei pretencioso, meloso, confuso e entediante. Análise superficial de muitos temas famosos como a teoria do big crunch, teoria das cordas, viagem no tempo e hipnose servindo de subterfúgio para entreter o espectador até um final mirabolante. Saí do cinema com as mãos abanando, muito confuso e decepcionado.

Terminada a crítica oficial do filme venho aqui comentar sobre o que senti depois de assisti-lo. Na verdade não fui ao cinema ver esse filme, assisti na casa de um amigo e ainda perdi meia hora do início.  Mas ele mexeu comigo ao abordar temas que sempre foram muito do meu interesse. A primeira vista, parece uma receita perfeita para o sucesso. No entanto senti que esses temas foram envolvidos na trama de maneira muito superficial servindo quase como um cenário para uma historia de amor meloso e irracional. Para mim o filme não passa disso. Parece que o autor as jogou todas num caldeirão e nem se deu ao trabalho de acrescentar um pouco de autenticidade.
Me senti um pouco ofendido com o filme pois eu me identifiquei com ele, sendo que previamente eu já havia comentado sobre algumas dessas mesmas teorias em meu texto “A teoria do caos”. Acontece que da mesma forma que o autor do filme, eu as abordo superficialmente. Afinal eu não sou nenhum físico ou guru sobrenatural e nem estou cobrando isso do autor. Então porque eu não gostei do filme? Será porque eu o associei com o meu trabalho e isso já seria motivo suficiente para desmerece-lo? Isso seria um péssimo sinal, demonstrando uma falta de fé extrema em mim mesmo.
Algo parecido ocorreu quando eu estava lendo um dos livros de Paulo Coelho. Comecei a notar uma certa semelhança entre o seu estilo de escrita com o meu e a proximidade dos temas que eu venho explorando ultimamente com os deles. Mas o problema foi que ao invés de usar isso como impulso e ficar orgulhoso de mim mesmo, fiz foi desmerecer seu trabalho. Não tenho nada contra Paulo. Pelo contrário, ele é um dos meus autores favoritos. Ele só me ajudou, sem saber, a enxergar um problema que eu tenho comigo mesmo! Com certeza isso é algo que deve ser resolvido, ainda não sei como. Talvez eu saiba, mas precise consultar um psicólogo. Ou simplesmente precise ter coragem o suficiente pra cavoucar nas profundezas do meu ser a procura de uma cura, enfrentando o meu próprio eu. Mas deixando de lado meus problemas internos por um instante, vamos analisar outras possibilidades.
Não estou completamente convencido de que eu não gostei do filme só por lembrar a mim mesmo. Penso se não foi essa semelhança somada ao enredo, ao meu ver, fraco fazendo-me associar essa falha a mim.
Me peguei pensando que se fosse eu o autor do filme teria o mesmo senso crítico que tenho agora como espectador e não me permitiria oferecer a outras pessoas algo que não fosse bom o suficiente para mim. Então, se eu estou criticando esse filme, deveria me considerar capaz de fazer algo melhor. Pois criticaria a mim mesmo da mesma forma que agora critico o filme. Essa ideia me deixou um pouco mais animado. De certa forma eu estaria certo pois eu leria meu trabalho e não me contentaria com algo que estivesse fora dos eixos para mim. Mas eu sei que logo no início esse raciocínio já estava equivocado. Pois é impossível analisar seu trabalho como um expectador. Seu senso crítico se desvirtua porque cria ligações emocionais. Além de que, mesmo melhorando seu trabalho até parecer perfeito para ti, nunca será sequer bom para todos. Cada um enxerga o mundo da sua forma.
Eu achei o filme pretencioso, meloso, confuso e entediante. Mas pode ter sido maravilhoso pra outros e eu estou aqui fazendo papel de filho da puta metendo ferro no filme. Com certeza vai aparecer alguém pra dizer que eu não entendi o filme por isso não gostei. Mas porra, formei minha opinião baseado nas minhas limitações intelectuais, o que não deixa de ser a minha opinião! Se feri o sentimento de algum fã, minhas sinceras desculpas,


Erik Schnabel

domingo, 12 de maio de 2013

Manoella

Me machuca pouco a pouco,
de prazer eu quase morro,
mas eu já to lá de novo
só pra ver você dançar

Seus movimentos me aquietam
e eu fico bem atento
esperando o momento
de você se aproximar

Me arde o corte do papel
de tão difícil é cruel
mas pra mim você é incrível

Um dragão que cospe fogo
e guarda o mais belo tesouro,
princesa de cabelos louros
em torre quase inacessível 

Não sei se é minha viagem
ou simplesmente um personagem
que passeia pela margem do impossível

Erik Schnabel

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Prefácio

Não leve tão a sério as coisas que eu falo. Pois minhas idéias se corrompem só pelo fato de manifesta-las no mundo das ilusões. Muito menos, leve a sério o que os outros dizem sobre terceiros. Que além de interpretarem à sua maneira o que ouviram, sua fonte já modificara severamente tal informação ao pronuncia-la. Digo então, não leve nada a sério. Afinal não é tudo ilusão? Mas também não desmereça nada. Porque tudo que é dito tem uma relação com a verdade, nem que seja por se opor completamente à ela. 

Erik Schnabel

quarta-feira, 6 de março de 2013

Críticas


Receber críticas é normal. No entanto, saiba que grande parte é da boca pra fora. Porque o que as pessoas mais gostam de fazer é criticar. O mundo é assim mesmo, divido em dois grupos: Os que seguem na frente e fazem alguma coisa e os que vão atrás a criticar, como bem disse Sêneca. Mas se considere sortudo se receber uma crítica bem construída, de fato, com o intúito de te fazer melhorar. Melhor ainda se vier acompanhada de um conselho.
Ou se faz alguma coisa para melhorar ou aprende a lidar com elas. Você pode se exaltar, mas vai acabar perdendo a razão. Na maioria das vezes as críticas que te deixam nervoso são verdadeiras. Da mesma forma, que alguma característica em alguém podem te incomodar, por lembrar algo em você mesmo. A parte mais difícil é deixar o vínculo emocional de lado e se botar sob uma outra perspectiva para analizar racionalmente a situação.
Olha eu mesmo, aqui, escrevendo esse texto, querendo desabafar depois de uma boa agulhada. Porque meu orgulho pede um diálogo interno para apoiar a posição que eu me botei.
Busco uma resposta... Será que eu estou acomodado ou estou tentando realmente melhorar? Na dúvida, recorri ao blog. Talvez eu esteja me enganando. As vezes aceitar a verdade da medo...
Eu posso até me lembrar de algumas algumas boas críticas sobre algumas das minhas músicas que realmente me abalaram. Na primeira fiquei até um tempo sem toca-la. Mas o bom disso é que você acaba se re-apaixonando pela música, pelo seu trabalho. Pois como se fosse um filho seu é uma síntese da sua realidade, do seu ser. Voce pode lapida-la a ao máximo, mas nunca vai soar da mesma maneira para todos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ultimamente, tenho tido algumas preocupações com o nível das minhas produções artísticas e sobre a minha capacidade de dar continuidade ao meu trabalho como artista. Em algumas divagações, vi o artista como um papel essencial na vida em sociedade. Desde os primórdios, se propondo a entreter e emocionar os demais. Assim como o pajé, o sábio da tribo, que contava histórias sobre suas experiências ao redor de uma fogueira, tenho certeza que o artista também se dispunha a compartilhar o seu melhor, nem que fosse contando uma piada, recitando uma poesia ou desenhando na areia da praia.
Hoje em dia, temos advogados, professores, padeiros, lixeiros e claro os artistas. Os quais têm tido sua imagem associada com fama, dinheiro, comportamentos "rebeldes", modismos e outros detalhes provenientes da mídia.
Admito que esse pensamento acabou me contaminando um pouco. Afetado por essas idéias, por um momento minha confiança se abalou. Enquanto me apresentava para um pequeno grupo de amigos tocando violão ao redor de uma fogueira, me vieram os pensamentos de que na verdade estava fracassando como tal; já não compunha fazia um tempo, estava ainda tocando junto aos mesmos amigos depois de anos.
Pensei nessas bandas famosas que estão firme e forte a anos executando seu trabalho com louvor. Sua mensagem consegue chegar aos ouvidos de todos...
Nesse último ano, também comecei a sentir mais dificuldade de me apresentar em público, ficava muito mais nervoso do que antes, o desafio parecia ser maior. Refletindo sobre essa situação mais tarde, percebi que isso estava acontecendo pelo fato de estar numa idade em que estão ocorrendo muitas mudanças. Tendo acabado de completar dezoito anos, me via como um ser mutante que está abandonando a condição de adolescente e adentrando na vida adulta.
Antigamente, eu apenas me divertia! Me apresentava, praticava música, desenhava, tudo isso como hobby. Hoje, já percebo uma cobrança maior (talvez uma cobrança de mim mesmo). Pois ninguém mais vai dizer: - Que bonitinho esse menininho! Toca violão e até compõe! - Eu tenho que escolher uma profissão e não vai ser mais brincadeira se eu quiser me tornar, de fato, um músico. E pior agora, desiludido com meu próprio trabalho...
Apresentei essas questões para alguns amigos e um deles me deu o melhor conselho que eu poderia receber. Disse que era uma pena eu ter perdido minha confiança, mas eu tinha que me esforçar para não desistir. Porque se eu parar de criar vai ser muito diícil voltar.
Me lembrei que antigamente eu não tinha essas preocupações e me considerava um artista muito mais digno do que hoje em dia. Me dei conta de que eu estou pensando mais sobre a minha condição do que sentindo. E é isso que um artista faz, sente. Por isso que eu tinha perdido o tesão pelos meus trabalhos, pois estava pensando de mais!
Foda-se a fama, o dinheiro... Os artistas, muitos deles, estão disfarçados de padeiros e advogados. O que importa é estarem dando o seu sangue pela arte.
Percebi também que quando toquei violão pros meus amigos ao redor da fogueira deve ter sido um fracasso mesmo. Também, pensando tanta besteira ao invés de me concentrar, independente do que estivesse fazendo, seria impossível fazer bem.






Erik Schnabel

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"Um coração puro"





Nesse dia eu cheguei atrasado no colégio. A aula já tinha começado, mas o porteiro me deixou subir, disse pra eu ir correndo para a sala.
Não tinha ninguém lá e a porta estava trancada. Uma funcionária passava pelo corredor. Perguntei a ela aonde minha turma tinha ido. Ela me disse que os viu descendo para a capela. Lembrei que a primeira aula era de ensino religioso. 
Meu colégio era católico, a diretora era uma freira. No entando, ao contrário do que muitos pensam, na aula de ensino religioso não ficávamos só estudando a bíblia, aprendendo sobre a vida de Jesus e etc. Era na verdade bem interesante. Sempre tinha uma reflexão que extrapolava o campo religioso e entrava no nosso cotidiano, passando por análises sobre a conduta moral e ética da sociedade. Eu até estranhei o professor levar a turma para a capela, não costumávamos fazer isso. Pelo menos eu nunca tinha ido lá.
A capela era em um prédio do lado de fora do colégio, perto de onde as freiras moravam. Chegando lá, vi a turma toda sentada nos banquinhos e o professor de pé, onde geralmente fica o padre. 
Ele me entregou um papel e pediu para que eu me sentasse. Estava explicando sobre a parábola bíblica que nos entregou para ler e sobre a dinâmica que costumava fazer quando ainda era um seminarista. 
Aquele era um momento para ler o papel e refletir sobre sua mensagem sozinho. O que o professor chamava de "deserto". Poderíamos fazer essa reflexão circulando pela capela ou por alguns outros ambientes. Ali perto havia um corredor que passava por uma sala que tinha um jardim interno. Mas não era permitido adentrar mais, pois ali eram os aposentos das freiras que praticavam um tipo especial de retiro. 
 A passagem bíblica contava que quando chegar no fim dos tempos, Deus irá separar o joio do trigo, as ovelhas dos cabritos, os bons seriam recebidos ao reinos dos céus e os pecadores punidos no fogo do inferno. 
Os pecadores perguntaram o que tinham feito de ruim para serem punidos dessa forma. Deus respondeu que toda vez que negaram comida aos que tinham fome, agua a quem tinha sede e abrigo a algum estrangeiro deixaram Deus em pessoa com fome, sede e ao relento.
Os bons também confusos, perguntaram o que tinham feito para merecerem ir ao reino dos céus. E Deus respondeu que toda vez que ofereceram água a quem tinha sede, comida aos que tinham fome e abrigo a algum estrangeiro fizeram isso tudo por Deus em pessoa.
Depois de ler, fui dar uma volta. Passei por uma estátua de Jesus. Era uma imagem forte. Fiquei analisando seus cabelos louros, sua expressão e seus olhos azuis, que olhavam fixamente para mim.
Me veio a ideia de que Jesus, provavelmente, não teve esses mesmos traços e aparência, devido as suas origens e o lugar onde teria vivido.
Direcionei uma pergunta a estátua: "O que quer de mim?". Ela não pareceu responder. Continuou ali parada do mesmo jeito. Olhando para mim com o mesmo olhar que não me parecia transmitir nada.
Nesse momento uma freira passou por mim me dando bom dia. Ela não estava com aquele vestuário característico. Tinha cabelos brancos, era baixinha e usava óculos. Estava com uma certa dificuldade para andar, provavelmente devido a sua idade avançada. Mas estava toda animada e parecia que tinha muitas coisas para resolver.
Voltei minha atenção a imagem, olhando dos pés a cabeça. Suas mãos estavam perfuradas. Uma delas fazia um gesto que mais parecia apontar para cima. A outra mão apontava para o peito. Seu coração estava saltado para fora e ardia em fogo. Raios de luz emanavam dele como se fosse o que há de mais importante. Tive então, uma revelação. A resposta para o meu questionamento: "Um coração bom".
Continuei caminhando pelo corredor, fui dar uma última olhada naquele jardim interno e passei pelos meus colegas. Cada um ocupado com sua reflexão. O professor logo chamou os alunos de volta, para se reunirem e compartilharem suas experiências.
Eu contei o que aquela dinâmica me proporcionou e o professor, pareceu ter gostado da minha história.
Mais tarde no colégio, o professor disse que a diretora estava me procurando. Ele me levou até a sala dela e bateu na porta. Quando ela abriu ele discretamente disse algo em seu ouvido e foi embora. No fim das contas ela queria só me dar os parabéns. Porque meu aniversário tinha sido no dia anterior, no domingo. Mas também perguntou sobre minha essa história que o professor havia comentado.
Disse que não sabia muito bem do que ele estava falando, mas contei aconteceu na capela mais cedo. Provavelmente devia ser sobre isso.
Ela arregalou os olhos, e perguntou se eu ia mergulhar de cabeça nisso mesmo. Queria saber se eu ia me converter ao catolicismo ou alguma coisa do tipo. Tentei explicar que, na verdade, a experiência que tive me fez perceber que, independentemente da religião, de todas as formalidades e exigências, o mais importante é manter seu coração puro, enquanto passamos pelas provas da vida.
Ela disse que tinha uma coisa para mim, se virou e abriu uma caixa de papelão. Pegou um pacote e me entregou. Disse que não era pra contar a ninguem, porque ela não costumava dar presentes a nenhum aluno. Era apenas um porta cd's com a marca do colégio. Mas nada mal pra quem antes só entrava na sala do diretor para receber suspensões e advertências nos antigos colégios. Posso dizer que esse foi um ano de muitas superações.

Erik Schnabel

domingo, 2 de setembro de 2012

Lisergia



Tinha na memória a imagem meio borrada de um homem, mas não conseguia lembrar quem era. Me sentia mal. Porque mesmo não sabendo de quem se tratava, aquela figura tinha grande importância para mim. Ainda me sentia ligado à ela.
Eu já não lembrava o que era pai, mãe, escola. O vertical se confundia com o horizonte e vice-versa. Tudo não passava de um grande nada. Sentia um vazio no peito ao me confrontar com certas questões, aquelas que não tem resposta. "O que estamos fazendo aqui?" "Qual é o sentido disso tudo?" Perguntei repetidas vezes à todos que estavam do meu lado, mas ninguém soube me responder.
Fiquei desesperado, com medo de ficar daquele jeito para sempre. Mas na realidade nem lembrava mais de como era antes. Sentia uma certa culpa, será que eu estava fazendo algo de errado?
Não sabia definir o ser humano, diferenciar gêneros. Pra mim tudo não passava de energia. Feixes de luz em movimento. Ou aquilo tudo estava muito certo ou muito errado...
Pouco-a-pouco eu fui me deparando com a existência de outros pequenos seres: as formigas, as joaninhas e as aranhas, verdadeiras artistas que construíam aquelas maravilhosas teias em 3D. Tudo perfeitamente alinhado e com um propósito. Me dei conta da relação entre os seres vivos, a cadeia alimentar e o ecossistema. Pensei, "nosso lugar é aqui, lado a lado dos insetos".
Depois de ter desaprendido tudo, eu estava vendo o mundo com outros olhos e como se fosse a primeira vez ia relembrando das coisas. Nem parecia que eu já tinha vivido assim algum dia.
Voltava pela mesma estrada de terra que passei na madrugada anterior, só que antes tinha tanta neblina que foi realmente difícil não se perder pelo caminho. Agora, com um sol escaldante de meio dia sobre a cabeça, eu e meu amigo Purush caminhávamos balançando o polegar pedindo carona para os carros que passavam. Não demorou muito e um carro parou do nosso lado levantando muita poeira. O motorista era um homem cabeludo de óculos escuros. Nós entramos no carro e continuamos seguindos pela estradinha.
Seu nome era Kranti, nos apresentamos e ele disse que estava indo para cidade também e podia nos deixar na rodoviária.
Durante a viagem o tal Kranti foi falando e falando, mas eu não conseguia entender nada, ainda estava meio atordoado, só concordava e balançava a cabeça enquanto olhava pela janela. Eu tirei do bolso um aparelho tecnológico, bonito. Demorei um pouco para perceber que era apenas o meu celular.
Estávamos subindo um morro em direção à Brasília por um caminho que eu nunca tinha ido. Quando alcançamos o topo, foi um choque. Mais parecia uma colônia de bactérias, mas era lindo! Essa visão me fez lembrar da vida em sociedade, que de fato a vida continua. No dia seguinte eu tinha aula e ainda teria que dar explicações para os meus pais por chegar tão tarde em casa.

Erik Schnabel